Helena Roerich

Helena Ivanovna Röerich, nascida na Rússia em 1879, fazendo sua transição em 1955, era cultora de sinceridade e da simplicidade, omitindo o quanto pode os dados referentes á sua biografia. Entretanto, como foi ensinado, pelas obras os discípulos poderão identificar o Mestre.

Helena recebeu de Morya (Mestre de Sabedoria, citado por Helena Blavatsky na sua obra “A Doutrina Secreta”) as mensagens que hoje constituem a Série Agni Ioga. Uma das conseqüências das publicações da Série foi à imensa correspondência que passou a receber, a qual respondia com a maior atenção. Nela, continuaram ausentes as referências estritamente pessoais mas ficaram registrados muitos Ensinamentos e comentários esclarecedores sobre o Agni Ioga, a tal ponto que as cartas se tornaram uma referência muito especial para os estudantes da matéria: Diz Helena: “ A sinceridade e a simplicidade são dois poderosos imãs. A grande arte do relacionamento humano se baseia nelas. Poucos se dão conta da importância dessa arte, que é a base de toda construtividade e evolução. Esta arte esquecida, que requer tanta sensibilidade, atenção e síntese do espírito, deve ser introduzida na vida sem tardança. Ela é da realização mais essencial. Como podemos, sem ela, construir o Novo Mundo de Beleza e Cooperação?”

Também escreveu: “Sem aplicação á vida, o conhecimento não tem valor e não trará os resultados esperados e mais: “O discípulo deve com seus pés e mãos construir seu caminho”.

Imagens lindas de homens e mulheres, verdadeiros criadores da cultura, passam diante de nós, e seria desejável reconhecê-las imediatamente, em vez de adiá-las incompreensível e desnecessariamente. Por que escondê-la nos arquivos até que se transforme em uma fantasia da imaginação popular?
Aqui encontramos na figura contemporânea notável, uma destacada mulher russa. Revelando qualidades incomuns já na infância, ela é vista como uma garotinha carregando um pesado volume da Bíblia de Doré. Curvando-se ao seu peso, escondendo-a dos adultos, ela levou o tesouro para observar as ilustrações e, finalmente (quando ela aprende a ler sozinha), estudar os testamentos.

Muito cedo ela também tirou livros de filosofia da estante de seu pai. Em um ambiente aparentemente barulhento e perturbador, ela conseguiu desenvolver uma profunda contemplação da vida, como se já a possuísse há muito tempo. A honestidade, a justiça, uma constante busca da verdade e amor ao trabalho criativo – tudo isto transformou realmente a vida ao redor do jovem e forte espírito. E toda a casa, toda a família passou a se comportar de acordo com os mesmos princípios benevolentes. Todas as dificuldades e perigos eram suportados sob a mesma liderança estóica. O conhecimento acumulado e a aspiração á perfeição. O conhecimento acumulado e a aspiração à perfeição davam uma solução vitoriosa aos problemas, o que levou as pessoas à sua volta na direção do caminho único luminoso.

Desenvolvia-se a mais ampla correspondência, livros eram escritos, trabalhos de muitos volumes traduzidos; e tudo isto era feito com espírito surpreendentemente infatigável. O Movimento das Mulheres, as pesquisas cosmológicas, o serviço á Ética Viva. Tudo isto pode-se encontrar em suas cartas aos amigos. Helena opôs-se à publicação de suas cartas, mas nós, seus numerosos amigos, temos trocado cópias que foram para nós suas indicações mais valiosas.

Através da gradual publicação destas cartas, a amplidão do pensamento desta notável mulher russa será revelada. Tanto na Rússia quanto no exterior, durante suas viagens pelo mundo, ela sempre se entregou a ambos os serviços tanto ao seu próprio país quanto à humanidade. Helena Röerich sempre sonhou publicar um livro valioso, um trabalho bibliográfico dedicado à mulher. Mais do que tudo, ela nunca teve em mente qualquer afastamento do mundo, pelo contrário, ela sempre pensou na mais ampla e próxima cooperação, que removeria de vez as limitações convencionais da ignorância.

Em uma de suas cartas, Helena Röerich responde às inquietações de alguns leitores quanto à proveniência desses ensinamentos e ao modo como foram escritos. Esclarece que esses dados estão incluídos no texto, e que tais preocupações demonstravam a superficialidade com que á obra estava sendo lida. È que o valor de uma inscrição está na verdade transmitida e é reconhecida por si, pela vibração dela emanada, pelo impulso emitido ao interior de quem a contata. Em muitos casos, o canal de captação, mero intermediário, deve permanecer temporária ou definitivamente anônimo, para não atrair sobre ai a atenção a ser devotada ao ensinamento. Sobre os livros da série Agni Ioga, Helena declarou que os livros chegariam às mãos certas, pois muitas almas esperam por luz e por novos valores diante da atual divulgação, confusa, de conceitos ditos esotéricos.

Helena Röerich, também orientou: “Temer os lobos significa privar-se de ir à floresta, deixar de colher seus frutos”. Nas suas cartas, Helena Röerich esclareceu que as maiores calamidades não são as epidemias, mas sim as perversões psíquicas, condições em que as pessoas perdem a autoconfiança, excitam a mente no exercício de injúrias, odeiam o que está além da sua própria compreensão e, por fim, caem em estado de irresponsabilidade e depravação. Mas, segundo ela, as forças involutivas sempre acabam sendo canalizadas para o Bem pela Hierarquia espiritual, verdadeiro governo do mundo.

(Extraído do livro Cartas de Helena Röerich, Volume I, Tomo I e do livro Glossário Esotérico de Trigueirinho).

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